quarta-feira, 10 de abril de 2013

Retrato do inerte

Ela abriu os olhos, despertando sobre a grama verde, era outono.
Sua primeira visão foi do céu, que naquele dia não estava azul e límpido.
Suas pupilas pareciam dilatadas, tudo tremia, tudo ao seu redor e dentro de seus seios.
Sentiu os lábios tremerem e seus cabelos tremiam ao vento, que anunciava a chuva fora de época.
Seus cabelos se confundiam com o tremor da grama. Ah! Se não fosse o preto de seus cabelos, eles seriam um só.
Naquele momento apenas algo importava. Naquele dia ela descobriu, descobriu que seu corpo tremia por ter descoberto um mundo novo.
O meu mundo!


26/03/2013

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Escuro

Eu não faço amor.
Eu faço sexo, eu trepo.
Eu sinto as curvas na palma da minha mão.
Eu sinto os lábios embaixo da língua.
Eu sinto o olhar me queimando.
Sinto os cílios se esbarrando.
Gosto de sentir as unhas dos pés se atracando em minhas pernas.
Não quero fazer amor.
Quero apertar, quero amassar.
Eu quero sentir a pele embaixo de minhas unhas,
Quero sentir o sangue dos arranhões em minha garganta.
Quero sentir dor de mordidas.
Sinto meus cabelos dando nós.
Eu não faço amor,
Porque eu sou o amor.


Para Xú

Tempo à tempo

Olhando para o lado não se enxergou no outro.
Olhando para si percebeu que, um dia, se perdeu.
Sem infância, sem adolescência, mesmo que criado socialmente.
Perdeu o tempo, mas a culpa não foi sua.
Sempre um passo à frente, ao mesmo tempo, talvez, sempre um passo atrás.

Cresceu muito rápido esse rapaz, cresceu perdido, ao mesmo tempo achado.
Se achou em uma mentalidade que não queria que fosse a sua.
Deu adeus a sua eterna criança.
Hoje, só sabe brincar com o tempo e com as palavras.
Fala de sexo sem pudores, fala de amor sem remorso.

A ferida abriu-se ao nascer.
Ele apenas é fruto de um tempo que perdeu, e não volta.
Então agora ele vive o tempo perdido, com um copo de cerveja, um cigarro e muita música.

Para Maíne