Pular para o conteúdo principal

Estrada de tijolos amarelos?

        Contarei a história de uma menina que caminhava por uma estrada e ela via apenas um caminho.
        Essa menina, cujo nome não tive  a  oportunidade de ter conhecimento, era baixa, com cabelos escuros, ondulados, sedosos, que ao meu gosto, vestia-se bem. Vestido na altura dos joelhos, floral, e até parecia que a primavera a banhava, ela usava uma sandalinha verde que por vezes se confundia com a paisagem que a cercava.
        De longe parecia jovem e cheia de vida, como de praxe seu sorriso me enganou, assim que olhei seus olhos entendi que aquela jovem moça, bonita, possuía os olhos cansados, e mesmo com seus grandes cílios, não era possível disfarçar sua tristeza.
       Me assustei com a expressão que ela transmitia, observei seus passos cansados, suas costas envergadas, e sua respiração? Parecia não existir.
       A acompanhei para observá-la mais, e percebi que sua envergadura era a resposta para tamanha tristeza, ela necessitava envergar o corpo para frente na necessidade que seus olhos enxergassem mais à frente, além do que era possível, além do que era preciso. Buscava enxergar mais a frente na intenção de ser mais rápida que seus passos, que por sinal, ela ainda não tinha percebido, mas seus passos só ficavam atrás.
       Ela caminhou por tanto tempo envergada que começou a perder as flores de seu vestido, sua sandalinha verde havia se perdido no caminho, agora ela estava descalça, e seus cabelos negros empalideceram, se racharam como uma árvore que perde a vida, seus cachos antes bem definidos se perdem na bagunça de si. 
       Ela sofreu. 
       Quanto mais ela se envergava, mais impossível era ficar ereta. O sorriso falso, que outrora ela conseguia disfarçar, não estava mais ali, seus belos cílios se perderam quando algum vento soprou.
       Me perguntei por tanto tempo, por que não gritei para ela? Por que não disse que aquela envergadura a mataria?
       Eu não pude gritar, eu havia perdido minha roupa no caminho, meu calçado, meu o penteado, minha maquiagem, eu havia perdido a voz.
      Eu havia perdido o tempo.

       

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

"Quem é ela que nos espera na janela" II

Inicio esse texto pedindo permissão a Bianca Alencar para o uso do título. E acrescento a explicação do porquê estou repetindo esse título, não por falta de criatividade o suficiente, mas sim porque o título cabe bem as descrições a seguir.


Você comemora seu aniversário, não porque você nasceu nesse dia, mas porque é o dia de lembrar da noite e dos abraços.
Hoje não será apenas seu aniversário, é  aniversário da noite, dos apertos de braços e corpos, das escapulidas para brincar, rir, beber, beijar.
É tanta informação, mas vou começar pela primeira.
Possuída pela arte de abraçar, você é daquelas que de longe sinto um acolher do corpo através do olhar, não mais misterioso, apenas evidente.
Abraço, acho que resumi todo o sentimento que tenho por você.
Boa em descrever, escrever, correr.
Desse jeito meio torpe te encontro em todas as janelas que passo pela noite.
Identifico as casas como se dessas janelas eu fosse te ver, pular, com o pé desproporcional ao tamanho de seu corpo, você não …

Personalidades "portonífecas"

Os portões são contraditórios
Parecem dizer uma coisa, mas dizem outra.

Portões representam seus moradores, mesmo que toda regra tenha uma exceção.
Parecem dizer uma coisa, mas dizem outra.
Mas é sempre bom lembrar,
Toda regra tem uma exceção.

Quase não se vê portões estáveis, em sua totalidade.
Digo, todo reto, sem detalhes, além do mais, ninguém é tão estável a ponto de ter um portão estável.
Todos portões são instáveis como as pessoas protegidas por esses portões.

Quanto aos detalhes do portões, não se pode esquecer que ele pode ter aberturas ou não.
Por exemplo, os portões que são todo cobertos, aqueles que não se pode ver nada da casa, é bem provável que as pessoas por trás daqueles portões não queiram mostrar suas imperfeições, mas não significa que não queiram saber todas as imperfeições dos portões alheios.

Já os portões metade vestidos e metade desnudos, representam em sua maioria pessoas que dizem não se importar em serem vistos, no entanto, são "caras de pau" por …

Determinam

Apesar dos discursos do politicamente correto, eu me enganei.
Ouvi músicas no passado que pareciam determinar quem eu era.
Li livros que determinavam meus pensamentos.
Quase sempre a "satisfação" era uma palavra que fazia sentido em minha boca.

Eu me enganei.
Hoje não acho minha letra mais bonita ao escrever à lápis.
Não me satisfaço com músicas de bar.
Eu fiquei na lembrança de muitos, muitos ficaram em minha lembrança.
Sou boa em contar histórias.
Sou boa em "a-DEUSES".
Os livros que leio determinam meus pensamentos.
As dores de cabeça são por causa da música alta, que antes era tão baixa.

Eu me enganei.
Não amei todos, mas não deixei de amar ninguém.
Meus passos não são mais ao acaso, agora caminho como a humanidade.
"A passos de formiga e sem vontade(...)"
Agora estou decidida.

Eu me enganei.
                      Continuo enganada.
                                                     Por favor, que eu sempre me engane.